A renomada pesquisadora Dame Uta Frith argumenta que o conceito de espectro autista tornou-se excessivamente abrangente, perdendo sua utilidade clínica e científica. Segundo a especialista, a inclusão de casos com sintomas leves ou hipersensibilidade social diluiu os critérios diagnósticos fundamentais, dificultando o suporte àqueles com deficiências intelectuais severas.

Vídeo no Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=qsEP7QTIVT0 – Fonte: internet
Recentemente, a comunidade ligada ao autismo foi impactada por declarações surpreendentes de uma das figuras mais respeitadas na área. A Dra. Uta Frith, psicóloga alemã e professora emérita da University College London (UCL), concedeu uma entrevista ao site TES e ao The Sunday Times que gerou uma onda de debates e indignação ao redor do mundo.
Pioneira em pesquisas que moldaram o entendimento moderno do autismo, como a Teoria da Mente e a Teoria da Coerência Central Fraca, Frith agora questiona a validade do próprio conceito de “espectro” que ela ajudou a consolidar
As Declarações de Uta Frith: O que mudou?
Na entrevista publicada em março de 2026, Frith afirmou acreditar que o conceito de espectro autista “colapsou”. Segundo a pesquisadora, a definição de autismo se expandiu tanto que perdeu seu sentido como diagnóstico médico útil.
Os pontos centrais de sua fala incluem:
- Crítica ao “Alargamento” do Diagnóstico: Ela expressou preocupação com o aumento expressivo de diagnósticos em adultos com pouca necessidade de suporte (Nível 1), alegando que o critério atual inclui casos “menos típicos” que diluem a pesquisa científica.
- Hipersensibilidade vs. Autismo: Frith sugeriu que pessoas sem deficiência intelectual não deveriam ser consideradas autistas, mas sim “hipersensíveis”.
- Foco no Nível 3: Para a cientista, apenas pessoas com deficiência intelectual e grandes necessidades de suporte deveriam receber o diagnóstico formal de autismo.
- Visão sobre o Masking: Ela minimizou o conceito de masking (camuflagem social), afirmando que se trata de um comportamento universal e não específico de pessoas autistas.
A Reação da Comunidade e de Especialistas
As declarações foram recebidas como um forte retrocesso por ativistas e pessoas diagnosticadas tardiamente. Brian Bird, ativista britânico que participou de documentários idealizados pela própria Frith, expressou tristeza ao afirmar que a entrevista parece contradizer décadas de trabalho da cientista em prol da diversidade do espectro.
Os principais pontos de preocupação levantados pela comunidade incluem:
- Invisibilidade e Perda de Direitos: Especialistas alertam que eliminar o termo “autismo” para o Nível 1 não apaga os desafios sociais, sensoriais e comportamentais dessas pessoas. Pelo contrário, pode comprometer o acesso a direitos legais, adaptações e tratamentos que dependem do diagnóstico formal.
- Risco à Neurodiversidade: Para defensores da neurodiversidade, a mudança de postura de Frith representa um risco acadêmico, podendo empurrar milhares de pessoas de volta à invisibilidade após terem encontrado no diagnóstico uma validação para suas vidas.
- Impacto nos Diagnósticos em Mulheres: A entrevista ignora que o aumento de casos em mulheres e adultos reflete uma correção histórica de subdiagnóstico, e não meramente um “glamour” em torno da condição.
Embora a ciência avance através do questionamento de paradigmas, é fundamental que esse debate não ignore a realidade clínica e a qualidade de vida dos indivíduos. Na Clínica FundamenTO, acreditamos que o diagnóstico de autismo, independentemente do nível de suporte, é uma ferramenta essencial de identificação, acolhimento e garantia de direitos.
A complexidade do cérebro humano e as dificuldades enfrentadas por pessoas no espectro são reais e documentadas. Continuaremos acompanhando as discussões científicas, mas sempre priorizando o suporte ético e a inclusão de todos os que buscam compreensão e desenvolvimento dentro da neurodiversidade.
Este artigo foi elaborado com base em informações de fontes jornalísticas e enciclopédicas sobre a trajetória e as recentes declarações da Dra. Uta Frith.