Para muitas pessoas, processar as informações do ambiente — como sons, luzes e texturas — é algo automático. No entanto, para indivíduos com Transtorno do Espectro Autista (TEA), esse processamento pode ser um grande desafio. Estima-se que entre 45% e 96% dos autistas apresentem características sensoriais atípicas, o que impacta diretamente seu comportamento e sua aprendizagem.
Neste artigo, vamos explorar a diferença entre hiper e hipossensibilidade, a importância da Integração Sensorial de Ayres® e como a ciência ajuda terapeutas a tomarem as melhores decisões.
O que são os Desafios Sensoriais?
Os desafios sensoriais ocorrem quando o cérebro tem dificuldade em organizar e interpretar as informações recebidas pelos sentidos. Isso pode se manifestar de duas formas principais:
- Hipersensibilidade: É uma sensibilidade exacerbada. O cérebro recebe os estímulos de forma tão intensa que eles podem ser desesperadores ou dolorosos. Exemplos comuns incluem tampar os ouvidos para ruídos que outros ignoram, evitar certos toques ou texturas e sentir desconforto com luzes fortes.
- Hipossensibilidade: Ocorre quando o indivíduo sente menos os estímulos e, por isso, busca experiências sensoriais intensas. São crianças que precisam de mais agitação física, gostam de pular, buscam alimentos com sabores fortes ou não parecem sentir dor ao se machucarem.
Muitas vezes, a mesma pessoa pode apresentar hiper em alguns sentidos e hipo em outros.
Além dos 5 Sentidos: Os Sistemas “Escondidos”
Embora conheçamos bem a visão, audição, paladar, olfato e tato, a teoria de Integração Sensorial destaca outros sistemas fundamentais:
- Vestibular: Relacionado ao equilíbrio e à percepção de movimento.
- Proprioceptivo: Percepção do corpo no espaço e da força dos movimentos.
- Interoceptivo: Percepção de sensações internas como fome, sede e batimentos cardíacos.
- Integração Sensorial de Ayres® (ISA)
Desenvolvida pela Dra. Jean Ayres, essa abordagem é o padrão ouro na Terapia Ocupacional para o TEA. O objetivo não é apenas oferecer estímulos, mas ajudar o cérebro a criar respostas adaptativas. Por exemplo, em vez de apenas ouvir um som (estímulo), a integração permite que a criança entenda esse som e reaja de forma organizada.
A terapia deve ser realizada por terapeutas ocupacionais especializados, preferencialmente em salas equipadas que ofereçam o “desafio na medida certa” e promovam a motivação intrínseca da criança. - Ciência na Prática: O Método DDDM
Para garantir que a terapia seja eficaz, profissionais utilizam o Data-Driven Decision Making (DDDM), ou Tomada de Decisão Baseada em Dados. Esse processo sistemático consiste em 8 etapas para guiar o raciocínio clínico:- Identificar desafios de participação.
- Realizar avaliação abrangente.
- Gerar hipóteses.
- Desenvolver metas mensuráveis.
- Identificar medidas de resultados.
- Preparar a intervenção.
- Conduzir a intervenção.
- Monitorar o progresso e analisar os resultados.
Esse rigor científico garante que o tratamento seja centrado no cliente e que os avanços sejam comprovados através de dados e gráficos. - Como Apoiar a Criança na Escola e em Casa
O ambiente escolar costuma ser rico em estímulos que podem gerar sobrecarga sensorial. Algumas estratégias práticas incluem:
- Espaços de regulação: Ter um local tranquilo para descanso quando os estímulos ficarem intensos.
- Adaptações simples: Uso de fones com cancelamento de ruído e rotinas visuais organizadas.
- Brincadeiras reguladoras: Atividades que envolvem “pressão profunda” (como o abraço apertado ou brincar de ser enrolado em um edredom) podem ajudar a acalmar o sistema nervoso.
Conclusão
Entender as necessidades sensoriais de um autista não é “frescura”, mas uma necessidade biológica. Com o apoio de uma equipe multidisciplinar e intervenções baseadas em evidências, é possível proporcionar mais conforto, autoestima e autonomia para essas pessoas em seu cotidiano.
Artigo criado com ajuda de IA e com a curadoria da FundamenTO.